E eis mais um exemplo de como funciona, na prática o sistema em que vivemos.
A rigorosa desigualdade em que vivemos parece muito visível. De certa maneira realmente é. Entretanto, os arranjos políticos e econômicos, em sua mescla (pode-se dizer natural) muitas vezes ficam ocultos. Não sabemos ao certo por que esse tipo de transação fica fora da atenção da grande mídia, contudo, podemos perceber a intencionalidade do sistema como um todo de esconder seus rastros, não somente pelo ilícito ou imoral, mas pela própria auto preservação de um sistema de privilégios que em democracias mais avançadas tende a ruir, realidade distante do cenário brasileiro( e aqui me refiro àqueles arranjos político-econômicos da forma mais genérica e global possível).
O documento abaixo é parte do relatório da CPI do Banestado "Concessões de empréstimos subsidiados pelo Banestado às montadoras" que pode ser encontrado na página 500 do relatório:
https://attachment.fbsbx.com/file_download.php?id=175942336111907&eid=ASuNKttrJXLcNsPUtqLK3Hmwup2iMaGKSGjjm4pDXwuFORV3xmvqIKjIbDNvHhFpAUw&inline=1&ext=1454948672&hash=ASsPPzgMB0Rdtzvh
Em tempos de ajuste fiscal e tantas outras maluquices da ortodoxia do FMI, o Brasil tem o direito de saber que tratamento tem os investidores de grande porte que aqui se instalam. Muito desse discurso já é aceito como senso comum mesmo quando o tema exige mais reflexão, só a título de exemplo, a direita vende a ideia que país desenvolvido paga baixa carga tributária,o que é verificável apenas em uma minoria das nações economicamente desenvolvidas e com alto desenvolvimento social.. Porém, não ressalta que boa parte desses países adota critérios de arrecadação sobre a renda e não sobre consumo. Além disso, a isenção fiscal que muitas empresas aqui recebem vai além de uma gama de países de economia rigidamente aberta.
O exemplo que se segue vai além da discussão da arrecadação regressiva dos impostos, trata-se de uma operação de crédito em que o Banco (aquele que empresta a troco de juros e outras taxas de operação de qualquer usuário comum) estabeleceu longos prazos de pagamento isento de juros ou correção monetária às montadoras no Brasil.
Ora! Em um país que tem como modelo de gestão atual a austeridade e o equilíbrio das contas públicas e que além disso possui as maiores taxas de juros do planeta não pode desenvolver-se adotando esse tipo de fomento.
É um desenvolvimento ilusório que gera fuga de divisas, trava o desenvolvimento de uma indústria nacional que atenda as necessidades da demanda interna, como é o caso do setor automobilístico e ainda empresas recebem volumosos empréstimos com pagamento postergado ao longo prazo sem sequer correção monetária, enquanto o consumidor comum ( que já tem difícil acesso a linhas de crédito) paga mais de 400% de juros no cartão de crédito ao ano.
A aposta no desenvolvimento do mais rico para que a qualidade de vida do mais pobre aumente já mostrou-se ineficiente para diminuir a pobreza e as desigualdades sociais. Esse raciocínio não atendeu as necessidades do povo brasileiro.
Isenção e Crédito devem ser injetados no produtor interno, na média e pequena empresa, na qualificação e profissionalização do trabalhador, no crédito pessoal de consumo.
O contribuinte não pode mais ser refém de artifícios político-econômicos que visam garantir o rentismo de uma parcela mínima da população, que cada vez mais estendem seus domínios econômicos através de indexações distorcidas, swap cambial, evasão de divisas e tantos outros inescrupulosos meios.

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