A Política
Nacional de Participação Social (PNPS) foi derrotada, com isso, muito daquilo
que o cidadão brasileiro reivindicou nas jornadas de junho de 2013 foi
completamente ignorado. Com o Congresso que temos isso não é nenhuma novidade.
O espanto e a perplexidade que me domina e me entristece é ver os meios de
comunicação tratarem o tema, mais uma vez, sem a devida discussão.
O decreto 8.243 da presidenta
Dilma tentava institucionalizar a participação social. Não é uma forma de
colocar o jogo democrático em xeque, ao contrário, foi a tentativa de alargar
nossa democracia. Nas entrelinhas do projeto há sentenças caras a quem ocupa o
poder. Em resumo, o tal decreto define como obrigação da administração pública
considerar as demandas sociais. Não que os conselhos sejam normativos, seu
caráter, tanto na teoria quanto na prática, seria consultivo. Estabeleceria uma
nova concepção política de mudança estrutural, não deixaria o governo livre
para fazer aquilo que bem entender por 4 anos após eleito, mas sim “consolidar
a participação social como método de governo”.
"Nós somos a favor da consulta e da participação de todos os segmentos no processo de estruturação dos projetos de governo. Muitas cabeças pensam melhor que somente as cabeças do Executivo" Presidenta Dilma Rousseff
Por
que então não aprovar tal projeto? Existe aqui uma manobra vergonhosa da Câmara
dos Deputados para manter o sistema político brasileiro que hoje não mais
sustenta a realidade política. Crentes ainda na democracia estritamente representativa,
nossos congressistas conhecem o perigo inerente à sua posição de poder caso
haja ampliação da participação popular. É assim que querem: democracia enquanto
participação eleitoral. O voto continua como expressão quase única da soberania
do povo. Desta maneira, a estrutura muda lentamente e figuras conhecidas por
suas trajetórias manchadas por escândalos e suspeitas de corrupção conseguem
manter-se e legislar em favor de causas próprias ou de pequenos grupos.
O
medo é que a sociedade se organize em coletivos e expressem força dentro das
instituições públicas. Ora! Não era exatamente isso que o povo reivindicava no
ano passado? As passeatas, manifestações e expressões populares não eram
precisamente para que a voz do povo fosse ouvida? Em alguns momentos para que
seu grito encontrasse eco, até mesmo a violência foi então usada? Estamos
falando de um decreto que tentava abrir diretamente um canal de diálogo entre
as demandas sociais e o governo.
O
projeto assusta! Sim, sem dúvida, assusta aqueles que querem uma posição
tranquila dentro do poder. Para o político brasileiro, o melhor cidadão é
aquele que vota e acata as decisões do legislativo brasileiro (por mais
absurdas que sejam). Travestem suas decisões imundas com a maquilagem de “Segurança
Jurídica”. Não é novidade nenhuma em nossa história a hipertrofia das
instituições, sobretudo aquelas que dependem das eleições. Temos órgãos
verdadeiramente blindados, juridicamente protegidos contra qualquer forma de
contestação popular. Por um lado isso assegura que sentimentos difusos de
inconformidade sem sustentação real destruam nossa democracia, por outro,
garante a manutenção de toda sorte de políticos, criando um benevolente
ambiente para práticas nefastas como corrupção ativa, enriquecimento ilícito, nepotismo,
patrimonialismo e improbidade administrativa.
Verifica-se
no decreto a ampla participação e a garantia de pensamentos heterogêneos,
diferente do que foi largamente difundido, sendo a presidenta acusada de querer
enfraquecer o legislativo. É obrigação da democracia que cada vez mais grupos e
pessoas sejam representados, o que ocorre no Brasil, no entanto, é que uma
minoria privilegiada ocupa o poder e trava avanços significativos para o desenvolvimento
do país tanto em aspectos sociais, políticos, econômicos e culturais. Nos
últimos anos percebemos uma tentativa do governo federal de dar voz a grupos
minoritários e até marginalizados como o movimento negro, feminista e as causas
LGBT.
Se
bem observarmos as prerrogativas dos conselhos, notamos que sua principal
função é opinar sobre políticas públicas e acompanhar sua execução. Assim
sendo, a administração pública teria mais um elemento fiscalizador. Para o
ineficiente agente público isso é seu maior pesadelo. Imagine uma democracia
expressa por meio de conselhos de políticas públicas, comissões de políticas
públicas, conferências nacionais, ouvidoria pública federal, mesas de diálogo,
fóruns interconselhos, audiências públicas, consultas públicas e ambiente
virtual de participação social. Gostou? Foi contra isso que a Câmara dos
Deputados, organizada pelos políticos da oposição ligados ao PSDB, em um
sentimento de revanchismo pós eleitoral derrubou.
Nos
foi retirado a possibilidade de “fortalecer e articular os mecanismos e as
instâncias democráticas de diálogo e a atuação conjunta entre a administração
pública federal e a sociedade civil”. É interessante para os parlamentares que
esse tipo de pressão civil não ocorra, afinal, é o poder público que será
cobrado e fiscalizado, impedindo assim que a farra prossiga impunemente, incongruente
é a comemoração que vejo nas redes sociais e panfletos vagabundos considerados
jornalismo por aí.
Vale
lembrar que o decreto entende por sociedade civil “o cidadão, os coletivos, os
movimentos sociais institucionalizados ou não institucionalizados, suas redes e
suas organizações”, e seria sua obrigação garantir a “diversidade entre os
representantes da sociedade civil”. A quem então serviria este projeto? A um
partido político? Ao governo federal? Às instituições regulamentadoras como
agências e conselhos federais? Não! Este decreto colocaria o Estado a serviço
do povo, seria uma instância democrática participativa, mas tratando-se de
democracia direta ou participativa, nossa elite política conservadora não
admite sequer que o diálogo sobre o tema seja feito.

O decreto 8.243, 23 de maio de 2014, criado pela presidenta Dilma Rousseff decreta no Art. n°2 clausula II “diálogo entre a sociedade civil e o governo para promover a participação no processo decisório e na gestão de políticas públicas”, lutamos por liberdade por 21 anos durante a ditadura militar, agora lutamos pelo mesmo motivo, mas não lutamos pela democracia em sua essência, lutamos por liberdade, multidões saíram às ruas em junho de 2013 para demonstrar um descontentamento com um velho sistema que de certa forma já não, mas nos satisfaz, as manifestações foram inicialmente realizadas com pretexto de questionar o aumento das passagens de ônibus em várias metrópoles do país, serviu de alicerce para realização de inúmeros protestos em razão de diversos problemas socioeconômicos pelos qual o país está enfrentando. Foram necessárias duas horas e meia para se discutir o decreto presidencial que causou grande polêmica no Congresso, o presidente da Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves, já chegou a se pronunciar em Plenário contra a norma por considerar que ela invade prerrogativas do Congresso. A intenção é permitir que as entidades influenciem as políticas e os programas de governo e consolidar a participação como um método de governo, sem qualquer previsão constitucional, usurpando poderes que só podem ser atribuídos pelo eleitor. O decreto não foi aprovado porque uma minoria privilegiada teme pelos os direitos do povo, o Brasil sempre foi controlado por uma elite que visa apenas o seu próprio interesse, e jamais em futuro melhor para o nosso país, e nos foi retirado o poder de melhorar o nosso país pensando em futuro promissor.
ResponderExcluirAs grandes manifestações que aconteceram no Brasil reivindicavam a participação da população em gestões de política pública, mas o decreto presidencial foi derrubado pelos congressistas. Os parlamentares várias e várias vezes aprovam aumento em seus próprios salários mesmo sem a aprovação populacional, já o decreto que ajudaria a população com certeza foi reprovado a questão é por que os parlamentares não concederam o direito de uma participação mais direta da população com a política brasileira? O real fato é que eles temem a participação populacional por ver ameaçado o seu sistema ativo de corrupção interna na política. É obvio que os congressistas derrubaram tal decreto por motivos beneficiários a si mesmo, fato o qual entristece a população, pois se há corrupção por que ela não é combatida corretamente? E por que os corruptos ainda ocupam tal cargo? O sistema de democracia brasileiro e falho e corrupto e necessita de uma reforma imediatamente, pois se ao contrario acontecer as manifestações populacionais e a tentativa de decreto de comunicação feito pela presidenta Dilma rousseff serão totalmente em vão.
ResponderExcluirEm junho de 2013, milhões de manifestantes saíram às ruas das grandes cidades do Brasil para protestar por melhorias nos serviços públicos e na qualidade de vida. A dimensão das manifestação teve um impacto negativo imediato na popularidade da classe política. A previsão era de que grandes mudanças ocorreriam durante o processo eleitoral. Pouco mais de um ano depois, os resultados das urnas mostram que as jornadas de junho tiveram um efeito muito pequeno, talvez nulo, nas eleições. Mais uma vez, PT e PSDB polarizaram a disputa presidencial. Governadores foram reeleitos ou elegeram sucessores na maioria dos estados, muitos no primeiro turno. Além disso, a taxa de renovação da Câmara Federal não se alterou significativamente em relação a eleições anteriores.
ResponderExcluirNo dia 13 de junho do ano passado, uma passeata organizada pelo Movimento Passe Livre (MPL) contra o aumento da tarifa do transporte público em São Paulo foi reprimida pelas forças de segurança. Antes mesmo do início do ato, manifestantes foram presos porque portava vinagre, líquido capaz de amenizar o ardor provocado pelo gás lacrimogêneo. Jornalistas foram agredidos e 240 pessoas acabaram detidas.
ResponderExcluirAtos semelhantes se espalharam pelo país e fortaleceram mobilizações em curso em outros locais. No dia 15, quando teve início a Copa das Confederações, as ações ganharam projeção internacional. O resultado direto dos protestos foi o congelamento ou a redução do preço das passagens em Goiânia, Manaus, Cuiabá, João Pessoa, no Recife, em Vitória, no Rio de Janeiro e em São Paulo, entre outras capitais e municípios do interior.